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Na luta contra a Aids, desinformação tem cura


Cerca de 700 mil pessoas vivem com HIV hoje no Brasil. Um em cada cinco infectados não sabe que tem a doença. Todo ano, 12 mil óbitos acontecerem em decorrência da Aids. E anualmente, são registados 39 mil casos. Sim, os números são realmente alarmantes – e esta realidade precisa mudar urgentemente.

Diante disso, a Editora Abril anunciou, nesta quinta-feira (29), o lançamento de uma pesquisa que visa ouvir a opinião dos brasileiros para construir um retrato do país sobre o conhecimento a respeito de HIV/Aids, saber mais sobre o nosso comportamento sexual e ainda identificar as barreiras que ainda precisamos ultrapassar para melhorar o controle do problema.

Segundo o Dr. Esper Kallás, médico infectologista e imunologista, “33 milhões de pessoas do mundo carregam o vírus e o problema principal está mesmo concentrado no centro e sul da África, mas isso não significa que está distante da gente, dados os nossos números”. “Claro que a nossa situação é privilegiada. Afinal, os brasileiros têm acesso aos medicamentos antiretrovirais. Mas ainda estamos longe de controlar a epidemia. Uma pesquisa recente feita em São Paulo constatou que 15,3% dos homens gays que frequentam o centro da cidade estão infectados – e a maioria não sabe disso. Dentre eles, 33,1% têm entre 30 e 50 anos de idade.”

O especialista alertou ainda para a suscetibilidade de contaminação. “Na verdade, a principal via de transmissão é a relação anal não protegida, mas não importa se realizada entre homossexuais ou heterossexuais. O vírus não vai escolher gênero ou opção sexual. Ele só vai se favorecer da via de transmissão mais ‘fácil’”, acrescentou.

A assistente de responsabilidade social, soropositiva e ativista Silvia Almeida vive com HIV há 20 anos. “Eu era uma mulher comum, casei com meu primeiro namorado aos 18 anos. Depois de 14 anos casada, em 1994, meu marido adoeceu e a gente descobriu que ele estava com Aids. Dois anos depois, ele faleceu. Como é difícil falar sobre isso, mas eu sempre penso em como valeu a pena me expor. Antes de ser uma mulher que vive com HIV, eu sou uma profissional, levo a minha vida, tenho um namorado soronegativo...” Por isso, é importante que as pessoas se informem mais sobre o assunto.

O movimento pretende conseguir a participação de 10 mil pessoas, durante dois meses, e já conta, inclusive, com a participação e apoio de várias celebridades, como Neymar, Anderson Silva, Diogo Nogueira, Ney Latorraca e Fábio Porchat. O Porta dos Fundos, inclusive, lançou uma série sobre o assunto.

Para participar é só entrar no site e responder ao questionário. A Aids não acabou, mas a desinformação tem cura.

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