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Abertas inscrições para projeto ‘Atabaques entre as Folhas’


Estão abertas as inscrições para as oficinas 2014 do Projeto `Ilê Asipá: Atabaques entre as Folhas´, que é gratuito e visa qualificar e divulgar o universo afro-baiano das tradições Kêtu através da explanação dos toques, cânticos, mitos e ensinamentos no contexto dos mestres alabês. As inscrições são via e-mail atabaquesentreasfolhas@gmail.com e mais informações podem ser obtidas pelo telefone (71) 3117-5377. Os alabês são responsáveis pelos toques, rituais, conservação e preservação dos instrumentos musicais sagrados em um terreiro.

A ação formativa é do famoso Terreiro Ilê Asipá, fundado pelo Mestre Didi (1917-2013) e registrado neste ano (2013) como Bem Cultural da Bahia pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA). Segundo o coordenador geral do projeto, Jurandy Souza, as oficinas são gratuitas e abertas a pessoas de todas as idades – de 8 a 80 anos.

“Como a procura é grande, teremos duas turmas de 30 alunos cada, com aulas de quatro horas de duração nas manhãs de sábado por um período de 10 semanas a partir de janeiro (2014)”, diz Jurandy. Segundo ele, em princípio, uma das turmas será para iniciantes e a outra para alabês e pessoas da comunidade afro-baiana, com formação musical inicial.

CULINÁRIA AFRO-BAIANA – Para a antropóloga e mestre em Estudos Étnicos e Africanos pelo CEAO/UFBA, Nívea Alves, da equipe do IPAC/SecultBA e que estuda o registro do Ilê Assipá como patrimônio cultural baiano, é fundamental que, nos terreiros, os mais velhos e mais experientes compartilhem o conhecimento com as gerações mais novas. "Muitas tradições se perdem quando não ocorre esse compartilhamento; e o curso do Ilê Assipá é uma excelente oportunidade para repassar e discutir noções e características próprias dessa atividade musical-sagrada", afirma a especialista.

Serão oferecidas aulas práticas com professores e monitores, que são ojés do Ilê Asipá e alabês do Ilê Axé Opô Afonjá, acompanhados pelo supervisor musical Gerson Costa – Odun Tayo’Nilê Asipá. Além disso, acontecerão aulas teórico-práticas com alabês, mostra das oficinas e encontro final para apresentação e avaliação geral. “Devido à importância multissensorial da culinária afrobaiana, do ajeum – ato de se alimentar – e da preparação dos alimentos na nossa cultura, serão servidos quitutes típicos aos presentes ao final das aulas das oficinas”, explica o diretor de produção do projeto, Gabriel Pedreira.

SÉCULO XIX – As origens do Terreiro Ilê Assipá – voltado ao culto dos ancestrais (Egúnsgúns), aos quais, ao lado dos orixás, conformam o complexo cultural nagô – remontam à primeira metade do século XIX, quando foi fundado, por Marcos, o Velho, o Terreiro de Mocambo, na Ilha de Itaparica, Baía de Todos os Santos, no Recôncavo baiano. No Asipá, que está instalado em Salvador, no Bairro da Paz, o culto é voltado aos antepassados (Egúngúns), mas se faz presente também o culto aos orixás em espaços e momentos delimitados.

Mais informações sobre o projeto via telefone (71) 3117-5377 e endereço eletrônico atabaquesentreasfolhas@gmail.com. Assista ao vídeo do projeto no link http://migre.me/h2nz8. Outras informações sobre os tombamentos e registros de terreiros de candomblé são disponibilizadas na Gerência de Patrimônio Imaterial (Geima) do IPAC, via telefone (71) 3116-6741 e e-mail geima.ipac@ipac.ba.gov.br. A TV IPAC também exibe o vídeo do projeto; confira: http://migre.me/h4bp2.

BOX OPCIONAL: MESTRE DIDI – Deoscóredes Maximiliano dos Santos, Mestre Didi, foi sacerdote, artista e escritor. Filho de Arsenio dos Santos, que pertencia à elite dos alfaiates da Bahia, e de Maria Bibiana do Espírito Santo, mais conhecida como Mãe Senhora, Mestre Didi é descendente da tradicional família Asipá, originária de Oyó e Ketu, importantes cidades do império Yorubá, na África. Sua trisavó, Marcelina da Silva, Oba Tossi, foi uma das fundadoras da primeira casa de tradição nagô de candomblé na Bahia, o Ilê Asé Airá Intile, depois Ilê Iya Nassô, a famosa Casa Branca, considerada um dos primeiros terreiros do Brasil, sendo o primeiro a ser reconhecido pelo Governo Federal, via IPHAN/MinC, como Monumento Cultural do Brasil. Eugenia Ana dos Santos - Mãe Aninha do Ilê Axé Opô Afonjá, tratada por Didi como avó, foi quem o iniciou no culto aos Orixás e lhe deu o título de Assogba, Supremo Sacerdote do Culto de Obaluaiyê. Iniciado no culto aos Egun aos oito anos de idade pelo filho de Marcos o Velho, Marcos Theodoro Pimentel, Mestre Didi teve sal formação continuada com Arsenio Ferreira dos Santos, sobrinho de Marcos Theodoro Pimentel, o Alapini, primeiro mestre de Didi no Culto aos Egun. A tradição é originária de Oyó, capital do império Yorubá. A herança de Marcos Alapini, para seu sobrinho Arsenio Alagba passou para Didi, Ojé Korikowe Olukotun. Mais tarde Didi recebeu o título de Alapini, o mais alto do Culto aos Egun, e anos depois, em 1980, fundou o Ilê Asipá onde é cultuado o Baba Olukotun e demais Eguns desta tradição antiga. Em setembro de 1970, não tendo no Brasil quem pudesse fazer sua confirmação de Balé Xangô, foi para Oyó e realiza a obrigação na cidade originária do culto à Xangô. A cerimônia foi realizada pelo Balé Sàngó e o Otun Balé do reino de Xangô de Oyó. Mestre Didi tem título de Alapini (sacerdote maior no culto aos Eguns), Assogbá (sacerdote supremo do culto a Obaluaiyê) no Ilê Axé Opô Afonjá, zelador do culto à Ossayin, Balé de Xangô confirmado pelo Rei de Oyó (1970) e o de Baba Mogbá Oga Oni Xangô pelo Rei de Ketu (1983), ambos na África.

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