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Espetáculo teatral revela história da primeira transexual baiana


A história de uma das primeiras transexuais da Bahia e do Brasil é contada no palco por meio do encontro da linguagem do teatro e do audiovisual no espetáculo teatral Joelma. O mais novo solo do ator-performer, encenador e autor Fábio Vidal, terá sua estreia dentro da programação do VI FIAC- Festival Internacional de Artes Cênicas, nos dias 28 e 29 de setembro, às 20h, no Teatro ICBA.

O premiado curta baiano de Edson Bastos sai da tela e se transforma na linguagem de teatro, novamente no corpo de Fabio Vidal, que destacou-se vivendo a transexual no cinema, exibido em festivais de todo o país. O espetáculo teatral confirma a parceria entre os dois criadores, que se lançaram o desafio de transpor a história para o palco, adicionando conteúdos que ficaram de fora da película.

Joelma revela a história da inadequação da transexual, que se compreende como uma mulher, nascida no corpo de um homem, no município de Ipiaú. Para além dos aspectos sobre sexualidade e gênero, a peça mostra outros aspectos da vida da personagem, que também é uma religiosa e dedica parte de sua vida à fé. Hoje, ainda viva, a mulher que deu origem ao espetáculo, tem 68 anos e vive numa casa, que é um misto de centro espiritualista e igreja.

A dramaturgia ainda tem espaço para revelar aspectos de romance e o assassinato que estabelece  uma trama “policial” na historia. Para Vidal, a montagem “traz uma historia de afirmação e reinvenção de si, mesmo em frente à preconceitos e injustiças, instaurando respeito e dignidade por uma postura ética de vida, que Joelma estabelece  muito claramente em suas palavras  e comportamento.

Encontro de linguagens artísticas - Depois de encarnar a personagem no curta metragem homônimo, dirigido por Bastos no cinema, Vidal traz a história para o teatro, abordando outros assuntos e referências, que não puderam ser aprofundados no filme. Segundo ele , “a encenação traz diálogos, histórias,

personagens, questionamentos e informações que redimensionam o caráter mítico, religioso, filosófico e conceitual da obra cinematográfica, estabelecendo outra criação que engloba o cinema - vídeo (a projeção) como um dos elementos constituintes da cena teatral”.

No espetáculo, ambos criadores colocam o desafio de experimentar a construção de uma obra teatral, em casamento com o cinema, numa relação de jogo, que estabelece interdependência, sobreposição e complementaridade. Uma variedade de referências musicais e sonoras povoam a montagem, que transita por divas da MPB de tempos distintos como Gal Costa, Lady Zu e Angela Maria.

Joelma conta com trilha sonora assinada por Ronei Jorge e Luciano Simas; direção de arte e cenografia de Luís Parras; concepção de luz de Pedro Dultra. Os figurinos serão criados por Maurício Martins e a maquiagem por Marie Thauront, que ambos terão o desafio de ajudar a caracterizar a passagem do tempo da personagem que irá da juventude até a maturidade.

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