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Centrais sindicais e empresas têm dificuldade de abordar diferenças sexuais no local de trabalho



Mesmo entre as empresas e centrais sindicais que promovem campanhas de conscientização sobre a aids, raramente se aborda a questão da diversidade sexual. Esta foi uma das constatações dos participantes da oficina “Construindo Igualdade e Oportunidade no Mundo do Trabalho – Combatendo a homo/ lesbo/ transfobia”, organizada pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids) e Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Durante o encontro que começou nesta segunda-feira, 29 de outubro, em São Paulo, foram apresentadas inciativas de responsabilidade social da Central Único do Trabalhador (CUT), Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Federação dos Trabalhadores na Administração Pública Municipal do Rio Grande do Norte; e das empresas Philips e Itaú.

Segundo analisa Pedro Chequer, coordenador do Unaids no Brasil, “com exceção do banco Itaú que iniciou uma campanha interna sobre as diferenças sexuais, quase nada se observa de ações práticas visando o direito das pessoas homossexuais e transexuais nos seus locais de trabalho”. 

O mesmo percebeu o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (ABGLT), Toni Reis. “Usando características que os próprios representantes das centrais sindicais e das empresas disseram aqui, vejo que as atuações em prol da diversidade sexual ainda estão incipientes, tímidas, desorganizadas e despreparadas”, comentou. “Eu achei que este trabalho já estivesse um pouco mais avançado”, acrescentou o ativista.
O coordenador do Unaids e o presidente da ABGLT, no entanto, reconhecem e enaltecem os projetos de prevenção das DST/aids dessas instituições e os esforços delas em procurarem meios para passarem a adotar políticas sobre a diversidade sexual.

Marta Vogt, do Itaú, ressaltou as dificuldades em se abordar a homossexualidade no local de trabalho. Ela contou que um funcionário, com 10 anos de empresa, pediu para trabalhar vestido de mulher, em consequência da sua nova identidade de gênero. Diante desse pedido, o banco passou a discutir a adaptação da foto e nome do funcionário no crachá e o banheiro a ser utilizado. “Percebemos que precisávamos preparar a casa para que ela fosse bem acolhida”, comentou. 

O banco criou então, entre outras estratégias de comunicação, um filme para ser veiculado no site restrito aos funcionários, mostrando as várias diversidades da população, como as religiosas, raciais, físicas e sexuais. Um funcionário gay, que há sete anos vive com seu parceiro, deu seu depoimento e foi um dos personagens do vídeo. 

“Este funcionário ficou muito satisfeito com o resultado final deste vídeo”, comentou Marta. “Mas sabemos que ainda temos um caminho longo e difícil para seguir”, acrescentou.

Segundo estudo realizado pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde com gays e outros homens que fazem sexo com homens, 52% dos entrevistados disseram ser discriminados no local de trabalho devido a orientação sexual.

O projeto “Construindo Igualdade e Oportunidade no Mundo do Trabalho” está buscando dar poder à população LGBT e contribuir para a criação de climas favoráveis nas empresas, independente da orientação sexual, identidade de gênero e sorologia para o HIV dos trabalhadores. 

A oficina, que conta também com apoio do governo federal, centrais sindicais e do Conselho Empresarial Nacional para Prevenção ao HIV/aids – Brasil (CENAIDS), segue até quarta-feira, 31 de outubro, no Hotel Braston (Rua Augusta, 467 – São Paulo).

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