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Papel social da arte é tema do último debate da exposição “Condenados”



A arte que leva informação, que gera indignação, que transforma, será tema do último dos três debates promovidos pela mostra internacional de fotografias “Condenados – no meu país, minha sexualidade é um crime”. Com o tema “O papel social da arte”, Luiz Mott e Angela Elisabeth Lühning discutem a potencialidade comunicativa e reflexiva da criação artística. O encontro acontece nesta quinta-feira, 1º de novembro, às 16 horas, no Centro Cultural Correios (Pelourinho). O acesso é gratuito.
A proposta do debate é mostrar que a arte é uma janela aberta à reflexão, possibilitando a construção de novos paradigmas – o que é proposto, inclusive, pelo curador Philippe Castetbon em “Condenados”. “A exposição mostra que, através da percepção, existem formas sutis de abordar questões fundamentais, fazendo com que as pessoas se deem conta de questões ainda não percebidas pelas vias mais diversas, do implícito ao explícito”, aponta Angela Lühning, alemã radicada no Brasil e diretora da Fundação Pierre Verger.
Para Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia, antropólogo, historiador, pesquisador e ativista dos direitos civis das minorias sexuais, os visitantes da exposição perceberão que, apesar de no Brasil não ser proibido ser homossexual, a homofobia é muito forte. “O Brasil é campeão mundial de assassinato de LGBTs e a Bahia, por cinco anos consecutivos, campeão nacional de crimes homofóbicos”, aponta. Apesar disto, a Bahia tem alcançado vitórias: foi aprovado o casamento homoafetivo no estado e isso se tornará realidade jurídica a partir de 26 de novembro deste ano.

O debate
A importância do trabalho com a noção de cultura, especialmente afro-brasileira, em processos educacionais, e questões de arte-educação, desenvolvimento da criatividade e identidade serão alguns dos assuntos discutidos por Angela Lühning. A diretora da Fundação Pierre Verger trabalha há anos com questões de cultura afro-brasileira nas suas mais diversas dimensões e com arte-educação em contextos comunitários.  
Luiz Mott traz à tona o modo como a arte pode e deve ser usada, revelando o belo e atuando como linguagem política na igualdade do ser humano. “Tomo o exemplo das pinturas e gravuras do Renascimento. Devido à forte homofobia institucional,  inquisitorial e real, muitos artistas gays e não homofóbicos usaram o corpo masculino, inclusive de santos, como Sebastião, como metáfora para o respeito aos sodomitas”, pontua.

A exposição
Elaborada sob a curadoria de Philippe Castebon, jornalista e fotógrafo francês, a exposição “Condenados – no meu país, minha sexualidade é um crime” é resultado de uma pesquisa feita por meio de sites de relacionamento, que Philippe utilizou para conhecer homens gays que vivem em países em que há na legislação uma criminalização à prática homossexual. Desses encontros virtuais, surgiram 50 autorretratos, que chocam, que escondem e revelam as facetas de sociedades que criminalizam o sujeito pelas suas diferenças.

SERVIÇO
Exposição “Condenados – no meu país, minha sexualidade é um crime”
Local: Centro Cultural Correios Salvador - Praça Anchieta, Pelourinho, Centro Histórico de Salvador (BA)
Horário: de segunda a sexta, das 10 às 18 horas; sábado, das 8 às 12 horas
Entrada: franca
Recomendação etária: 14 anos
Visitação: de 4 de outubro a 16 de novembro de 2012

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