Últimas

GGB 32 anos de luta pela eliminação da homofobia Que façam rufar os tambores. Toda honra e glória ao GGB da Bahia


Eu sou suspeito para falar sobre essas três décadas e dois anos do GGB de sua honra e glorificação, uso aqui expressão do cantor Caetano Veloso ao fazer referência a entidade em artigo publicado no Correio da Bahia criticando o jornalista José Augusto Berbet de Castro que escrevia de forma constante em sua crônica diária sobre cinema as expressões “Mantenha a cidade limpa, mate uma bicha, por dia” e não parava por ai era um terror “Matar veados não é crime, é caçada” e havia outras perolas malditas do homofobico Berbet de Castro.

Mano Cae declarou naquele meio de comunicação “ GGB é o orgulho da Bahia” e eu também acho Leãozinho, Menino do Rio, Novo Bárbaro! Eu acredito que além de ser um orgulho é traço forte de nossa cultura LGBT imaterial que deve ser preservada como patrimônio cultural, simbólico e concreto de todos os LGBT da Bahia e do Brasil.

O GGB que nasceu ao apagar das luzes do último governo militar e cresceu um intrépido e robusto “muleque” preto alimentado nababescamente pelas idéias anárquicas francesas de Sartre e Simone de Beauvoir e era amiguinho de outro “muleque” mais espevitado, danadinho conhecido como o Inimigo do Rei. O GGB fundado por Luiz Mott, então presidente de honra surgiu a partir de uma ação de violência no Porto da Barra. Mott professor substituto na Universidade de Campinas da professora Ruth Cardoso, convidado pela diretora da Faculdade de Filosofia a lecionar sociologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), recém chegado à Bahia caminhava numa tarde de domingo de mãos dadas com Aroldo Assunção, seu companheiro na época quando de forma inesperada Exu manda um mensageiro acertar-lhe com um soco o seu rosto. Mott nascido em família tradicional paulista, formado pela Sorbonne de Paris, nunca havia apanhado daquela maneira.

O soco mandado por Exu foi um alerta de que dias piores viriam se algo não fosse feito naquele momento, e Mott fez, entendeu o recado do dono da rua. Ele buscou juntar os gays e botou a baiana para rodar, rodar, rodar e continua rodando e gerando alegria até hoje 29 de fevereiro quando completa 32 anos.

O GGB se tornou hoje um homem gay com identidade masculina, adulto, macho, preto, branco, mestiço que não é machista e se solidariza com os marcos referenciais de luta para o aprimoramento da sociedade, igualdade dos gêneros e eliminação da homofobia, machismo, racismo e todas as formas de violência contra o gênero feminino. Antes morrer que deixar de lutar!

É um honra, felicidade enorme poder nesse momento estar à frente dessa entidade quanto completa 32 anos de luta ininterrupta, sem férias, sem descanso pela erradicação da homofobia que consideramos uma verdadeira praga do século. Por mais de 20 anos o GGB brigou só contra um exercito de opositores era Davi contra Golias, luta desigual.

O GGB foi o primeiro grupo do gênero a ser registrado em Cartório de Ofícios, o primeiro a ter personalidade jurídica, a ser reconhecido com o titulo de Utilidade Pública em todo o Brasil, articulou abaixo assinado nacional pela retirada da homossexualidade da classificação de doença do INPS, hoje considerada uma orientação sexual saudável. Foi o primeiro a trabalhar na luta contra o HIV e logo entendeu que a camisinha não era uma intervenção médica na sexualidade, mas sim uma barreira física eficaz de proteção contra a infecção do vírus.

Desde a sua fundação já distribuiu mais de 2 milhões de preservativos masculinos e femininos criando climas saudáveis para a sexualidade de ambos os sexos. O GGB e Mott decano do movimento homossexual brasileiro  com sua agonia pública estimulou o surgimento de outras irmãs pelo Brasil, porque não se vence uma guerra só e precisamos de aliados.

Os Grupo Dignidade no Paraná, Grupo Gay de Alagoas, Grupo de Resistência Asa Branca no Ceará, Associação Goiânia de Gays de Gays e Lésbicas, Arco Ires no Rio de Janeiro, Associação de Travestis de Sergipe (ASTRA), Unidas, Grupo Habeas Corpus Potiguar, Grupo Gay de Camaçari, Grupo Gay de Lauro de Fretas e tantos outros atuantes no Brasil. O GGB é filiado a Associação Brasileira de Gays e membro fundador da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT). Desde 2001 realiza a Parada Gay da Bahia já na sua 11ª edição. Por esses e outros motivos que o GGB é “Orgulho da Bahia”.


Por MARCELO CERQUEIRA, presidente do GGB  ggb@ggb.org.br
Especial para o site WWW.doistercos.com.br


Comentários